quarta-feira, 7 de outubro de 2009

No consultório - Capítulo 2

- Bem... agora conte-me como conheceu sua esposa.

- Na Igreja. Ela tinha um sonho. Queria virar freira. Mas com a experiência que eu tinha, eu mostrei pra ela as coisas boas da vida. Depois daquela noite dentro do armário, ela nunca mais foi a mesma...

- Como você se sente sobre isso?

- Não faço a menor idéia. Me sinto meio culpado por corromper uma criatura tão pura...Contudo, ela engravidou. A mãe beata dela a pôs pra fora de casa aos berros, chamando ela de cachorra. Ela foi morar comigo. Tive que arrumar um trabalho pra sustentar a criança.

- Qual foi a sensação de ver seu filho pela primeira vez?

- Ele parecia um timbu careca. Mas eu me acostumei com a idéia depois dos outros 8 filhos.

- Hum... Na sua ficha diz que você é porteiro, você se sente feliz no trabalho?

- Não sei. O trabalho não compensa a baixaria que você é obrigado a ouvir... Uma vez, o drogado do 666 se jogou pela janela. O pobre era meio trasntornado, sabe? Como ele morava sozinho, tive que apoiá-lo naquele momento tão difícil, enquanto a ambulância não chegava. Ele terminou ficando tetraplégico, teve traumatismo craniano e se alimenta através de sonda.

- Como você se sente sobre isso?

- Eu senti muita dó do rapaz. Tão novo... Tinha uma vida inteira pela frente. Agora é obrigado a vegetar numa cama de hospital.

- Sr. Silva, noto que você não possui a mão direita, quer me contar como a perdeu?

- Ah, doutor! Foi uma fase tão difícil na minha vida... Um certo dia, eu fui ajudar um morador do conjunto habitacional a tirar as compras do carro. Ao terminar o descarregamento, ele me pediu para fechar a mala do carro. Depois de 3 tentativas fracassadas, eu consegui. Mas a minha mão ficou presa na mala. O morador subiu com as compras e só meia hora depois, ele desceu pra fechar o carro. Minha mão ficou roxa e inchada, mas eu não queria ir ao hospital. Três dias depois, ela começou a ficar preta. Depois disso, ela caiu. Tava morta, podre. Os médicos disseram que não tinha mais jeito de repôr.

To be continued...

Nenhum comentário: