Estava feliz. Em cima de uma árvore, onde ela podia ter a impressão de que nada poderia lhe atingir. O vento sussurrava em seus ouvidos, cochichando coisas inaudíveis. A sombra lhe protegia do calor irradiante que o sol despejava naquele quente e abafado dia de verão.
Mas era hora de voltar a sua realidade. Precisava descer cuidadosamente daquela árvore, que tinha galhos retorcidos como plantas do cerrado.
Escorregou. Sua saia prendeu num galho e ela virou de cabeça pra baixo. Com a calcinha aparecendo, ela gritava. Desesperada estava. Pobre criança. Que destino injusto. Agora sua rosto ficava vermelho por causa do sangue que percorria um simples percurso até a sua cabeça. Gritava. Pedia socorro. Ninguém a ouvia.
Então, ela teve uma idéia genial. Resolveu se balançar para tentar desprender a saia. Ela conseguiu. Porém, caiu em cima do Corolla preto que estava debaixo da árvore. Estilhaçou o vidro dianteiro. O carro começou a apitar. O alarme.
Ela, caída dentro do carro, em cima dos bancos de motorista e passageiro, sorria. Ela tinha muita sorte, com certeza. Só alguns cortes profundos e uma costela quebrada. Tentou se levantar. Um ruído a assustou. O galho gigantesco quebrou. Caiu em cima do carro. A menina dentro. Os galhos atravessados em seu corpo agora morto.
É, ela tinha muita sorte. Foi uma morte rápida, como ela sempre sonhou.
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