terça-feira, 6 de outubro de 2009

Three little birds


Estava sentada no banco.
Digeria lentamente seu algodão doce.
Seus dedos sujos pegavam delicadamente a caneta esferográfica azul.
A garota se deliciava.
Lambia os beiços ao escrever no seu diário.
Descrevia a decoração de sua futura casa, onde moraria com o garotinho da quarta carteira da terceira fila.

Ao seu redor, crianças sorriam ao sair do carrossel.
Festejavam ao ganhar o prêmio da barraca de competições.
Os adultos, aparentemente exaustos, se curvavam por causa da maratona no domingo à tarde, num parque de diversões exageradamente lotado.

À sua frente, uma montanha russa.
Gritos de euforia com um toque de medo atingiam seus ouvidos.
Mas havia algo errado.
Até onde a garotinha sabia, os cintos não destravavam,
Pessoas não caíam.
Carrinhos não tremiam tanto.

É, o carrinho descarrilhou.
Veio voando em alta velocidade na sua direção.
Ela sabia, não havia como escapar.
Não havia como correr.
Não havia tempo.

Numa fração de segundo, o carrinho mudou de direção.
Acertou o pipoqueiro e seu carrinho, ambos ao lado do banco onda a menina se encontrava.
Ele morreu, claro.
O sangue espirrava na pele de pêssego da menina.

Ela estava prestes a se levantar.
Quando o carrinho descarrilhado caiu por cima da garotinha, decepando sua cabeça fora.
Cabeça que voou e caiu na máquina de algodão doce.

O garotinho impressionado com o vôo da cabeça, puxou a barra da saia da mãe, que expressava o próprio horror em seu rosto, e disse: "Mamãe, quando é que eu vou poder fazer isso com a puta da minha irmã?"

THE END

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