quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Entrevista do dia: A Morte

- Quantos você já levou pro outro lado?

Nossa, agora você me pegou. Eu perdi a conta, admito. A partir da Segunda Guerra Mundial, eu desisti de contar. Mas fica tudo anotado, nenhum passa despercebido.

- Pode nos revelar a sua idade?

Prefiro não citar números.

- Muitas pessoas temem você. Qual o motivo desse medo?

Veja, querida, nem eu sei o porquê dessa rejeição a mim. Mas, pela minha experiência, creio que as pessoas não me conhecem o suficiente para me julgar dessa forma. Pensam em mim como o ''fim da linha'', quando não há mais maneira de prolongar sua estadia na Terra. Acho que elas não tem pavor à minha pessoa, mas temem como será o modo que eu chegarei a elas.

- Você possui muitos métodos. Por que não utilizar apenas algo simples, como uma parada cardíaca?

Ah, é porque eu adoro suspense. Que graça teria você passar a vida toda me esperando, sabendo como eu chegaria? Eu simplesmente amo criar expectativa nas pessoas.

- Você possui algum ''hobbie''?

Uma coisa que eu faço constantemente, é dar sustos nas pessoas. São as tão famosas Experiências de Quase Morte (EQMs).

- Gosta do seu trabalho?

É um trabalho bem prazeroso, se é que você me entende. É extremamente gratificante ver a expressão de alívio no rosto das pessoas ao me verem. Às vezes, tenho tempo de convesar com uns e outros. Você aprende muito, sabe?

- Qual a sua maior qualidade?

Bem, em alguns casos de morte, eu sou rápida. Uma morte rápida e sem dor. As pessoas não gostam de agonizar até morrerem. Outra grande qualidade minha é a pontualidade. Nunca demoro mais que o necessário para chegar.

- E o seu pior defeito?

Meu trabalho é muito estressante, isso me transformou num ser irremediavelmente impaciente. Algumas pessoas não aceitam o simples fato de que estão mortas, em seguida, começam a entrar em pânico e se descontrolam. Essa é a pior parte do meu emprego. Me deixa profundamente irritada.

- Você se considera uma pessoa solitária?

Não, no meu trabalho, conheço muita gente, é raro me ver desacompanhada.

- Você é uma pessoa fria, sem sentimentos?

Não, claro que não. Alguns casos são bem comoventes, como um acidente de trânsito. Outros, podem ser definidos como uma ''morte feliz'', quando a pessoa morre dormindo, por exemplo. Meu trabalho mexe muito com o lado emocional, mas depois de anos de prática, você aprende a controlar seus sentimentos.

- O que você gostaria de dizer aos leitores dessa entrevista?

Hum... Leitores, essa entrevista é apenas uma pequena parte de mim. Brevemente nos encontraremos e com certeza, nos conheceremos melhor. Não se preocupe com o nosso encontro, estou certa de que seremos bons amigos. Até lá, não desperdicem suas vidas pensando em como, quando e onde serão suas mortes. Apenas saiba que eu irei lhe buscar, no dia em que seu coração parar de bater.

Um comentário:

Anônimo disse...

essa musica é assustadora !
vc se lembrando do filme e colocar essa musica como despertador do seu celular vc tah fritu !
vai ter os piores pesadelos possiveis vai presenciar coisas que vc tem pavor que aconteça !
e eu naum toh falando isso por intuição e por experiencia própria !