sexta-feira, 16 de outubro de 2009

bicicleta.





Tinha 15 anos e ainda não tinha aprendido a andar de bicicleta.
Só conseguia em bicicleta de rodinha. Isso era uma vergonha.
Por causa disso, fora excluído durante toda a sua infância. Isso era um trauma.
Pediu de presente de aniversário, uma bicicleta, sem rodinhas, para que pudesse treinar.
Passava horas na rua, tentando. A cada queda, uma esfolação.
Joelho.
Cotovelo.
Queixo.
Barriga (?).
Num final de tarde quente, ele finalmente conseguiu. Andou com perfeito equilíbrio.
Leve como uma pena.
Livre como um pássaro.
Feliz como um gay ao ver um negão passando.
Ele sabia, se conseguiu o equilíbrio, conseguiria fazer aquilo.
Ele abriu os braços.
Fechou os olhos.
Respirou fundo.
Bateu de frente com um carro.
A bicicleta empinou, jogou o corpo do garoto pra frente.
Corpo que voou por cima do capô.
Quebrou o vidro dianteiro.
Caiu no asfalto.
Leve como uma pena.
Livre como um pássaro.
Feliz como um gay ao ver um negão passando.
Um sorriso radiante surgia em seu rosto morto.
Ele conseguiu.

3 comentários:

Luiz Antônio disse...

nossa eu tambem não sei andar de bicicleta! MEDÃO!

Quel disse...

--'

Anônimo disse...

kkkkkk, 'Feliz como um gay ao ver um negão passando.'