Naquela região, interior do estado, as pessoas cresciam ouvindo histórias do chupa-cabra. Uma vez ou outra, ocorriam relatos de casos ocorridos em áreas próximas à mata. Então o boato se espalhava pela cidade inteira, até que, 2 ou 3 meses depois, quando ninguém mais lembrava ou comentava sobre o caso, o chupa-cabra atacava novamente.
Ivanha sempre morou na capital e nunca acreditava nas histórias que lhe contavam. Desde criança, nunca acreditou em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa,... Ela sempre encontrava os presentes e ovos de páscoa escondidos no quarto dos pais.
Depois que se mudou para a cidade de Carnaíba, no sertão, ela começou a se perturbar com as histórias de chupa-cabra que chegavam aos seus ouvidos. Se mudou para lá porque, quando adolescente, prometera pros seus pais que cuidaria deles até a morte em sua cidade de origem. Que destino.
Era irritante ver como aquele povo se iludia com aquilo. É óbvio que o chupa-cabra não existe. Não há provas científicas suficientes.
Certo dia, Ivanha saiu com seus pais idosos para a casa de Rouziane que é filha de Margareth que é cunhada de Roberval que é primo de terceiro grau de Willyton que é irmão de Vesúvia que é casada com Heleno que é sogro de Hayane que é prima de quarto grau por parte de mãe de Ivanha.
Lá, eles almoçaram numa tranqüila reunião de família com comidas típicas da região. Os tópicos da conversa iam desde ao casamento de Lucinda até a morte misteriosa do vizinho. Obviamente, tocaram no assunto “chupa-cabra”.
Comentaram o quanto a morte foi estranha: o corpo do vizinho foi encontrado em estado de decomposição no meio das suas plantações, com marcas de mordidas e arranhões. Ninguém sentiu falta dele durante 6 meses. Ele morava sozinho e ninguém fazia amizade com ele por causa de sua fama de velho rabugento.
O dia foi longo e seus pais precisavam dormir. Como eles tinham prometido que dormiriam lá, assim aconteceu. Às 18h seus pais já tinham caído duros na cama. Não, calma, eles não morreram. Ainda.
Ela conversou um pouco mais com seus familiares e foi se deitar. O dia foi bastante cansativo e ela precisava dormir. No meio da noite, por volta das 2h da manhã, ela acordou com um grito agudo. Se levantou, de pijama, caminhou até a sala e viu a porta aberta. Foi para o terraço onde observou todo aquele mato com uma estrada de barro passando no meio, paralela à casa.
Um grito semelhante ao primeiro surgiu, pairando no ar, só que dessa vez, mas longo e mais agudo. Vinha da plantação que ficava atrás da casa. Ela caminhou até entrar no meio do matagal, procurando encontrar o tal alguém que tanto gritava.
Até que ela tropeçou em alguma coisa. Ok, era uma pessoa. A provável dona dos gritos. Era Lucinda, com o rosto desfigurado, marcas de unhas grandes e pontiagudas em seu rosto. O sangue escorrendo por todo o seu corpo, ultrapassando os rasgos na roupa feitos pelas unhas. Seu rosto expressava uma dor insuportável.
Ivanha se desesperou. Pensou em gritar, mas se gritasse, a criatura que tinha feito aquilo voltaria para aniquilá-la também, considerando que não estaria muito longe do local. Ela correu, afastando as folhas com os braços, que se cortavam com facilidade. Mas ela havia entrado muito na escuridão, já não sabia onde era o começo ou o fim do matagal. Ela parou por um instante, respirou e olhou pra trás. O mato se mexia fervorosamente. Ela entrou em pânico e continuou a correr. Não olhou pra trás, mas sentia que a criatura se aproximava.
Ouviu os passos. Sentiu as unhas se cravando em suas costas. Sentiu a queda junto ao chão barrento. As mordidas em seus braços imobilizados. Os puxões que arrancavam tufos do seu cabelo. E uma coisa pontiaguda penetrando a sua garganta.
Chupa-cabra não existe, né?
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3 comentários:
Faz um desenho do chupa-cabra, Camilla 8D
Ou manda a irmã da Clara desenhar, dá no mesmo '-'
huashuashuahsuahsuahuahsuahsuahsua
minha irm'a desenha melhor rs
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