Era uma mistura de odores e sensações. Tudo que conseguia ver era uma névoa que atrapalhava sua visão. Um homem desconhecido surge, veste um sobre-tudo branco, sapatos brancos, luvas brancas, um chapéu de cowboy branco e uma máscara igual ao do Jason. Ele a seguia em passos lentos. Mesmo correndo, parecia que a qualquer momento ele a alcançaria. Ele era com certeza muito perigoso.
Acordou com o rosto molhado, arfando. Se dirigiu ao banheiro, lavou o rosto e se olhou no espelho. Sua expressão estava distorcida, cansada. Não conseguiu mais dormir.
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O dia fora bastante cansativo. Voltava pra casa por volta das 19:26 depois de pegar dois ônibus, um metrô e um moto-táxi. Quem mandou morar em fim de mundo? O interior era pacato, mas chegar até lá era uma verdadeira batalha de resistência. Fazia aquele mesmo trajeto todo dia, de duas a três vezes. A idade ia avançando e suas pernas já não aguentavam tanto esforço.
Caminhava pela estrada de barro mal iluminada. Eram 3 quilômetros até a sua casa. Os moto-taxitas não se arriscavam, paravam em um ponto e ela seguia sozinha dali. Raramente aparecia uma carona ou outra. Já tinha se acostumado com a escuridão e com o medo que tomava o seu peito, enchendo-a de angústia.
Mas essa noite era diferente. A rua parecia mais escura, sombria, assustadora. Ela tinha uma sensação estranha, macabra, uma intuição de que algo ruim está prestes acontecer.
Então, um carro negro surge pelas suas costas, levantando poeira e cegando-a por uns instantes. O carro pára mais a frente, um sujeito desce e fecha a porta. O carro volta de ré, retornando ao seu ponto de origem. A areia invade seus globos oculares, ela pisca numa tentativa inútil de voltar a enxergar.
Depois de um tempo, não vendo claramente o que se encontra a sua volta, ela o vê parado ali, a poucos metros.
Era ele, ela sabia, com certeza era ele, sem sombra de dúvida. Um homem que veste um sobre-tudo branco, sapatos brancos. , luvas brancas, um chapéu de cowboy branco e uma máscara igual ao do Jason. Igual ao estranho que aparecia em seu sonho e a atormentava todas as noites. A névoa não deixava enxergá-lo com total clareza, mas era ele. Mas havia algo de diferente nele. Ele tinha uma faca atravessada em sua cabeça, uma faca que entrava pela sua têmpora direita e não saía pela esquerda.
Começou a caminhar lentamente em sua direção. Ela tinha que correr, mas suas pernas a prendiam ao chão diante da visão aterrorizante que ela tinha. Ele pegou no cabo da faca que o atravessava e a puxou vagarosamente. Não era uma faca. Aquilo era grande demais para ser uma faca. Era uma espada de mais de 1 metro de comprimento. Como era possível aquilo?
Ele continuava sua caminhada e ela conseguiu correr. Corria pra salvar sua própria vida. Um homem estranho de máscara com uma espada na mão não deveria ter boas intenções. Seus pulmões se enchiam de terra, ela tossia e corria, tossia e corria, desesperadamente. Era inútil, suas pernas estavam exaustas e trêmulas. Ele iria alcançá-la em pouco tempo, era óbvio.
Mas aí veio pedra. A pedra que ela não vira por causa do desespero e medo. A pedra que a fez tropeçar. A pedra que a fez cair. A pedra que a derrubou no chão. A pedra que a fez quebrar o nariz. A pedra que a fez cuspir sangue.
Ela, deitada no chão, virou-se para encarar seu provável assassino. Ele a observava de forma estranha. Olhava com olhos ternos por trás da máscara. Olhava como uma mãe olha seu filho ao nascer. Ele estendeu a mão para que ela se levantasse. Ela aceitou a ajuda e conseguiu se reerguer. Não antes do homem dar-lhe uma rasteira e derrubar-lhe novamente no chão. Ela caiu com os olhos esbugalhados que expressavam todo o seu medo e sua vontade de acabar logo com aquilo.
Ele deu uma grossa gargalhada aterrorizante e enfiou a espada no meio da sua molhada testa de suor.
* Essa história é origem de um trauma de infância da autora + a imaginação fértil de uma leitora.
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Um comentário:
O que cachorro quente, coca cola e uma conversa empolgante no CCSA nãs fazem com a imaginação de duas garotas no sense? xD
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