Sexta-feira - 17:17
Era inacreditável. Todos esse anos namorando com ele e agora isso. 8 anos jogados fora. Ela segurava o celular com força. Suas mão tremiam mais que máquina de lavar quebrada. O ódio era visível em seus olhos. As mensagens, que eram muitas, as ligações incontáveis. Mas que homem audacioso. 8 anos escondendo a outra. 8 anos passando as tardes com ela e as noites com a outra. Não havia dúvidas, a prova estava ali, nas suas mãos.
Rá, mas ela teria sua vingança. Ela teria sim
Sexta-feira - 21:50
- Isso são horas de chegar?
- Amor, eu disse que ia me atrassar. Nem pude ligar. E parece que eu esqueci meu celular aqui.
Notava como ela segurava o telefone de uma maneira estranha, como se segurasse uma granada, prestes a puxar o pino.
- Ele descarregou?
- Sim, mas a bateria durou tempo suficiente pra que eu descobrisse toda a sua farsa.
- Que farsa?
- A outra.
- Que outra?
- Carlos Eduardo, pare com isso. Você deixe de ser cara-de-pau comigo, ou eu quebro a tua cara!
- Mas o que foi que eu fiz?
- As mensagens, as ligações,... Como pôde fazer isso comigo, Carlos Eduardo?! Oito anos da minha vida desperdiçados com as suas mentiras!
- Amor, me deixa explicar! Você não tá entendendo.
- Não me chame de amor. Quem é a bruaca?
- Er...
- Não, espere! Não quero saber, já sei o nome dela, não precisa me contar todas as suas aventuras amorosas com ela...
- Mas...
- Mas nada, Carlos Eduardo, não quero saber!
Carlos Eduardo se aproxima de Juliana, que chora descontroladamente. Ele pega-a nos braços.
- Afaste-se de mim, seu canalha!
- Mas...
- AFASTE-SE DE MIM AGORA!
Ela puxou um canivete da gaveta da mobília velha que fedia a xixi de gato. Ela soluçava, suas mãos agitadas seguravam o canivete com força, como se pudesse partir este ao meio.
- Por favor, me deixa explicar!
- Não, se você der mais um passo eu juro que eu...
- Vai fazer o quê?
- Eu faço isso!
E enfiou o canivete no peito de Carlos Eduardo.
Domingo - 15:00
A chuva cai e molha as criaturas que seguem pelo cemitério vestidas de preto. Juliana fora inocentada por estar com TPM. Mesmo tendo matado seu amor, foi ao enterro. Todos olhavam-na com ódio, desprezo, nojo. Ela esquecera que o nome da sua sogra era o mesmo da suposta amante de Carlos Eduardo. E que ele prometera que ligaria para a mãe sempre depois que se mudasse. E prometera que a veria sempre que possível, todas as noites. Sua mãe não perdera o costume de chamá-lo de "bebê", "querido", "amorzinho",... Ela também gostava de fazer surpresas para seu filho em suas visitas.
Juliana sofria com seu remorso desde que descobrira que matara seu namorado por engano.
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