quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Traição (?)

Sexta-feira - 17:17

Era inacreditável. Todos esse anos namorando com ele e agora isso. 8 anos jogados fora. Ela segurava o celular com força. Suas mão tremiam mais que máquina de lavar quebrada. O ódio era visível em seus olhos. As mensagens, que eram muitas, as ligações incontáveis. Mas que homem audacioso. 8 anos escondendo a outra. 8 anos passando as tardes com ela e as noites com a outra. Não havia dúvidas, a prova estava ali, nas suas mãos.

Rá, mas ela teria sua vingança. Ela teria sim

Sexta-feira - 21:50

- Isso são horas de chegar?

- Amor, eu disse que ia me atrassar. Nem pude ligar. E parece que eu esqueci meu celular aqui.

Notava como ela segurava o telefone de uma maneira estranha, como se segurasse uma granada, prestes a puxar o pino.

- Ele descarregou?

- Sim, mas a bateria durou tempo suficiente pra que eu descobrisse toda a sua farsa.

- Que farsa?

- A outra.

- Que outra?

- Carlos Eduardo, pare com isso. Você deixe de ser cara-de-pau comigo, ou eu quebro a tua cara!

- Mas o que foi que eu fiz?

- As mensagens, as ligações,... Como pôde fazer isso comigo, Carlos Eduardo?! Oito anos da minha vida desperdiçados com as suas mentiras!

- Amor, me deixa explicar! Você não tá entendendo.

- Não me chame de amor. Quem é a bruaca?

- Er...

- Não, espere! Não quero saber, já sei o nome dela, não precisa me contar todas as suas aventuras amorosas com ela...

- Mas...

- Mas nada, Carlos Eduardo, não quero saber!

Carlos Eduardo se aproxima de Juliana, que chora descontroladamente. Ele pega-a nos braços.

- Afaste-se de mim, seu canalha!

- Mas...

- AFASTE-SE DE MIM AGORA!

Ela puxou um canivete da gaveta da mobília velha que fedia a xixi de gato. Ela soluçava, suas mãos agitadas seguravam o canivete com força, como se pudesse partir este ao meio.

- Por favor, me deixa explicar!

- Não, se você der mais um passo eu juro que eu...

- Vai fazer o quê?

- Eu faço isso!

E enfiou o canivete no peito de Carlos Eduardo.

Domingo - 15:00

A chuva cai e molha as criaturas que seguem pelo cemitério vestidas de preto. Juliana fora inocentada por estar com TPM. Mesmo tendo matado seu amor, foi ao enterro. Todos olhavam-na com ódio, desprezo, nojo. Ela esquecera que o nome da sua sogra era o mesmo da suposta amante de Carlos Eduardo. E que ele prometera que ligaria para a mãe sempre depois que se mudasse. E prometera que a veria sempre que possível, todas as noites. Sua mãe não perdera o costume de chamá-lo de "bebê", "querido", "amorzinho",... Ela também gostava de fazer surpresas para seu filho em suas visitas.

Juliana sofria com seu remorso desde que descobrira que matara seu namorado por engano.

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