Marcela e Cristina eram grande amigas. Mas brigavam constantemente. Brigavam por tudo, mas os meninos eram o maior motivo de sua discórdia. Sempre que aparecia um menino bonito, rico e fofo, elas discutiam e bolavam planos diabólicos até que o menino se assustasse e saisse correndo - literalmente.
Era assim desde o jardim-de-infância: quando marcela arrumava um namorado, Cristina furava o olho dela; quando Cristina arrumava um namorado, Marcela furava o olho dela. Mas ao fim de toda confusão, elas se acertavam e riam das idiotices feitas - que muitas vezes paravam no hospital.
E então surgiu um novato na turma delas. Era o menino mais fofo que já tinham visto: alto, peso razoável, cabelo liso castanho-dourado, da mesma cor do olhos. Era dono de um sorriso encantador.
Elas o acompanhavam com o olhar até que ele se sentou numa cadeira entre as duas. O encanto se foi até que uma encontrou o olhar da outra. Ele olhou para as duas com um sorriso no rosto, mas não foi o suficiente para quebrar os olhares gelados. Então ele se conteve e deduziu que era melhor não interferir e ficar longe delas.
Passados alguns meses, entre braços quebrados e dentes arrancados - elas adoravam um barraco na saída da escola - elas resolveram fazer um "teste de eficiência": quem ganhasse ficava com o menino. Ele fazia o máximo possível para agradar as duas e tentar segurar as brigas. Não era suficiente. Por causa de uma dessas tentativas ele quase foi atropelado.
O teste foi pensado pelas duas:
- Cristina, eu tive uma idéia perfeita pro teste.
- Diz.
- A gente corre pelo corredor do colégio em direção a escada, descemos e quem chegar primeiro e passar a mão na bunda dele, ganha.
- Tem que ser na bunda? Isso vai assustar ele.
- Como se ele já não estivesse assustado. Tudo bem, pode ser na mão.
- Marcela, tem certeza que é a melhor forma de fazer isso?
- Claro.
Mas Marcela tinha segundas intenções com aquele teste. Cristina nunca foi dotada de muita capacidade mental e depois que fez alguns tratamentos capilares e aplicou tintas no cabelo, ficou pior. Muitos defendem a idéia de que a tinta entrou pelo couro cabeludo e queimou os neurônios.
O dia do teste chegou. Os alunos seguravam cartazes e gritavam pelas meninas. O caminho era simples, correr e descer a escada. O menino não conseguiu deixar de recusar o convite, era isso ou as duas se matavam. E ele não duvidava da ameaça.
Se posicionaram e a ruiva da sala ao lado apitou. Começaram a correr e estavam empatadas. Passando pela turma do 1º ano B, Cristina acelera e lidera a corrida. Perto da escada, Marcela se aproxima e Cristina corre mais. Marcela ultrapassa e Cristina fica pra trás. Na hora de descer o primeiro degrau, Marcela pára e estica a perna. Cristina tropeça e cai de cabeça escada abaixo. Rola, rola, rola até parar no pés do menino fofo. Sua cabeça sangrava com um corte profundo. Quebrou o pescoço também e todos olhavam para a menina morta que morreu por causa do seu amor. Ou por causa de um objeto de desejo. Ninguém sabia ao certo. Marcela desce as escadas lentamente. Se abaixa e fala no ouvido do cádaver:
- Desculpe, querida, não foi nada pessoal.
O menino olha assustado para Marcela. Ela o encara e pensa.
Finalmente essa fracassada saiu do meu caminho. Agora ele é todo meu. Só meu.
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3 comentários:
RIIIINDOOOOOOOOOO xD
esqueceu da observação: baseado em fatos reais :)
olha aqui, mocinha...
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