quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Jullya vive! (Parte 2)

A morte da menininha do casaquinho branco causou comoção geral na cidade de Vitória de Santo Antão, e nas suas redondezas. Ela era muito querida por todos os habitantes, principalmente pelo vendedor de cachorro-quente. Sem falar nos adoradores de desenho animado. E naquelas pessoas que gostavam de caminhar com Jullya no meio do mato. Eu sei, é um hábito, no mínimo estranho. Vai entender...

Pois bem, como todos sabem, o trem deveria estar parado naquele dia. Então, como explicar o fato de que ele saiu do nada, atropelando menininhas inocentes por aí? A pessoa que dirigia o trem, não foi vista, até porque, TAVA TODO MUNDO CORRENDO COM MUITO MEDO, NÉ?!

Então, o criminoso fugiu e a polícia não se importou com a morte de Jullya. Era só uma menina qualquer. Por isso, nem sequer fizeram questão de investigar as causas da morte trágica de Jullya. Nem mesmo se importaram em saber quem era o dono da vaca.

(Sabia que eles apreenderam a vaca como ''parte'' do caso e fizeram um churrasco altamente suspeito no domingo seguinte? nãoespalha. :x )

Beleza...tava todo mundo muito triste com a partida de Jullya. Dentro de 3 semanas, todo mundo começou a se revoltar com o descaso dos policiais. Foi aí que aconteceu...
O centro da cidade estava repleto de pessoas carregando placas que diziam ''Jullya vive!", ''Ju estará sempre em nossos corações!", ''Selinho: 1 real'',...dentre muitas outras. Todos os habitantes daquela pacata cidadezinha estavam lá. E quando eu digo TODOS, é TODOS mesmo, com exceção, é claro, dos policiais. Pretendiam fazer uma passeata revolucionária em direção à delegacia para pedir providências ao delegado.

No meio do caminho, do nada, e simplesmente, do nada, surgiram MUITAS vacas. E quando eu digo MUITAS, são MUITAS mesmo! Só Deus sabe de onde saiu tanta vaca. --'
Bem, e elas vieram correndo loucamente pra cima das pessoas, atropelando todas elas.

Muitas morreram na hora, outras ficaram gemendo no asfalto quente. Muitas choravam, pediam por socorro, mas QUEM IA SALVAR ELES? Os médicos tavam, ou mortos, ou machucados, as enfermeiras, o mesmo. Os que estavam vivos olhavam horrorizados à sua volta e viam cádaveres de boca aberta com estacas e lascas das placas enfiados pelo corpo, cabeça, olho,... Uma paisagem exótica, digamos assim.

Aquele barulho surgiu. E o chão começou a tremer. Era familiar. Tudo aquilo era familiar. E ele surgiu. O trem. Veio com tudo. À todo vapor. Atropelou a galera. Matou metade dos que estavam vivos. Daí, vieram as vacas. De novo.

''De novo?!'' - Você me pergunta, revoltado leitor. Pois é. De novo.

Foi aí que todo mundo morreu. Uma viatura da polícia chegou logo em seguida. O policial desceu, olhou, fez cara de nojinho e disse:

- Cara, isso tudo por causa daquela menina?! Se a gente soubesse que ia dar nisso, não tinha mandado o Homem Macaco atrás dela. Vamo bora, me ajuda a limpar essa bagunça toda.

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