sexta-feira, 26 de março de 2010

Hemograma completo.

Ela queria fugir, correr de algum modo, mas ela não conseguia. Aquele lugar lhe deixava tonta, fazendo sua cabeça girar. Suas mãos pálidas suavam frio. Que péssima idéia, não devia ter ido até ali. Não devia ter escutado sua médica.

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- Bem, é isso, só posso saber qual é o seu problema com um hemograma completo.

- Um o quê?

- Hemograma.

- Desculpa, doutora. Não sei o que é isso.

- Exame de sangue. ¬¬

- Ah, claro. Não! Eu não posso fazer um exame de sangue!

- Por quê?

- Eu tenho pavor de agulhas. Eu caí dentro do cesto de costura da minha mãe, quando era pequena. É um trauma, sabe? Foi difícil de tirar.

- É, eu imagino. Mas não tem outro jeito. Só vou conseguir identificar a sua doença com um exame de sangue.

- Não tem outro jeito?

- Não. ¬¬

- Ai, nossa...

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Realmente, não devia ter escutado ela. O pânico se instalava por todo seu corpo. Ela estava completamente travada em cima da cadeira. E o cheiro de café piorava a situação. Como aquelas pessoas podiam agir tão naturalmente antes de enfiar uma agulha no braço e arrancar fora parte de seu sangue?

- Valéria Cabral?

- Aqui.

- Me acompanhe por favor?

- (Ai, caramba, é agora, nossa, ai, ai, ...)

Ela se sentou, tremendo. A mulher pediu que ela colocasse o braço no apoio. A mulher era praticamente uma menina, provavelmente não fazia muito tempo que tinha terminado sua graduação. Ela pegou o elástico e amarrou em seu braço. Era um elástico vermelho. Vermelho. Ela passou o algodão embebido em álcool no seu braço. Nossa, que cheiro. Ela deu uns petelecos no seu braço. Caramba, ela não conseguia olhar. Ela ia desmaiar, tinha certeza. A mulher observa o braço.

- Não consigo. Não tô achando. Abre e fecha a mão com força.

Ela abria e fechava, abria e fechava.

- Nada, não consigo, mas eu vou tentar.

- Hãn?

Era tarde demais. Ela já tinha enfiado a agulha sem nem saber onde a veia se encontrava. Dor. Muita dor.

- Calma, eu vou achar, não se preocupe.

Então ela tomou a péssima decisão de olhar pro braço. A menina girava a agulha no seu braço, prendendo a língua entre os dentes, como se aquilo fosse uma tarefa muito difícil de cumprir.

- Deve tá por aqui. Não, não. Mais pro lado. Aqui, eu acho. Nossa, que difícil.

- Mas que diabos você está fazendo, sua doente?!

- Tentando achar sua veia, oras.

- Pára com isso! Tá doendo!!

- Tá bom, tentarei no outro braço.

- Não, você não vai tentar em lugar nenhum!

- Calma, senhora o outro deve ser menos complicado.

- Saia de perto de mim, sua louca! INCOMPETENTE!

- Você me chamou de quê?!

- Incompetente, SIM!

- Ah, agora você vai ver, sua vaca!

Ela pegou a agulha, enfiou no olho da paciente. Ela se debatia. A agulha mexia
conforme o movimento do olho. A mulher abriu a gaveta e pegou mais agulhas. Saiu enfiando em várias partes do corpo de Valéria, que gritava e gritava e gritava. A recém-formada se divertia, ria de uma forma maléfica. As pessoas não escutaram os gritos. Um carro de bolas de sorvete passava na hora. A mulher fugiu.

A secretária encontrou o corpo e chamou sua amiga. Ela olhou e perguntou:

- Desde quando aqui tem acupuntura?

3 comentários:

D. disse...

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

Unknown disse...

Euri
Rimuito
Rialto
Rilitrosdesangue

Rufus :| disse...

Bah, eu ri muito disso! Daria um ótimo curta gore.