terça-feira, 23 de março de 2010

jullya vive! (parte 1).

Uma menina tão pura que nem parece nascida nesse lugar.

Assim todos descreviam Jullya, uma alegre menina que vivia seus dias na cidade de Vitória de Santo Antão. Ela tinha muitos amigos e gostava de brincar com eles no jardim da sua casa. Ela gostava de comer cachorro-quente. Gostava de usar um casaquinho branco. Gostava de desenhos animados. Era uma menina muito doce. Praticamente uma Sinhá Moça.

Mas ela tinha medo. Um medo que a fazia se esconder debaixo da mesa, cama, cadeira, ou qualquer outro móvel que pudesse proteger sua cabeça. Tinha pesadelos horrendos durante a noite e chorava, chorava, chorava. Ela tinha medo do Homem Macaco. O Homem Macaco apavorava a menininha desde que ela tinha ouvido sua tia avó contar a lenda do Homem Macaco que corria atrás das pessoas puras e inocentes.

Aconteceu naquele dia. Naquele lindo. Até que...

Jullya caminhava saltitando pelas ruas de sua pacata cidadezinha. Usava um casaquinho branco e carregava um cachorro-quente. Cachorro-quente que estava irritando-a pelo fato de que sempre que ela o mordia, caíam pedaços de carne moída e tomate no seu casaquinho. Oh céus, ela teria que usar Vanish quando chegasse em casa.

Ela estava parada, na calçada, tentando limpar o estrago feito pelo cachorro quente. Quando ela olhou pra trás, deu de cara com ele. Ele. O Homem Macaco. Correndo atrás dela. Ela avistou aquela criatura desprezível e repugnante e começou a gritar e a correr.

Ela gritava: LÁ VEM O HOMEM MACACO CORRENDO ATRÁS DE MIM!

Seu coração batia cada vez mais forte. Bem, se o Homem Macaco não a matasse, ela morreria de taquicardia. Pobrezinha.

Ela gritava: O HOMEM MACACO QUE NÃO TEM ALMA E NEM CORAÇÃO!

As pessoas observavam a cena sem entender o que se passava.

Mas então, surgiu um carro. Que atropelou o Homem Macaco. Ela tropeçou, caiu e olhou pra trás. Rá, tinha se livrado dele. Finalmente. Ela não percebeu, mas tinha caído em cima dos trilhos do trem. Ah, mas isso era irrelevante, afinal, o trem estava parado havia anos.

Do nada, e simplesmente, do nada, apareceu uma vaca. Foi pra cima de Jullya e pisou no seu peito. Acertou seu pulmão. Ficou sem respirar. Todos começaram a correr loucamente. Todos gritavam. Até a vaca saiu correndo.

Era o trem. Ele voltou. Jullya não sabia disso. Ela mal conseguia respirar, como iria se levantar? Ela só conseguiu ouvir aquele ruído que a fazia agonizar. Agonizar. O trem acertou ela em cheio. Já era Jullya.

Não dava pra saber mais o que era cachorro-quente e o que era Jullya.

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