quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Argh.

A dor era intensa. Agonizante. Horrenda. Macabra. A dor era inevitável. Não havia como impedi-la: ela vinha todo mês e durava aproximadamente cinco dias.

Engana-se o pobre mortal que pensa que a dor afetava apenas um local. doía nas pernas, na cabeça, nos braços, mas o pico da dor era na barriga. Era latejante, pareciam que as bombas da II Guerra Mundial explodiam dentro dela. Parecia que ela estava parindo o próprio útero, seu filho rejeitado.

Engana-se o pobre mortal que pensa que os remédios resolviam: dorflez, atroveran, feldene, buscopan,...todos em vão. Cházinho também não resolvia. Muito menos uma compressa, fosse ela quente ou fria. Para dormir, a garota só tinha uma solução: agarrar o travesseiro e apertá-lo contra a barriga até cair no sono.

Engana-se o pobre mortal que pensa que algum médico conseguia resolver seu problema. Ela vagava de consultório em consultório, já tinha feito todos os exames possíveis, testado todos os remédios. Não havia nada de errado com ela. Aquilo era uma maldição, um carma, que duraria até seus 40, 50 anos. Mas que infortúnio.

Naquele dia foi demais. Demais para suportar. Ela suava em cima da cama e prendia seus dedos com força no colchão. Não adiantava. Ela gritava, chorava, gemia. Ela virou, agarrou o travesseiro, pressionou contra a barriga e o mordeu com força, abafando seus gritos. Parecia mesmo que ela estava parindo. Mas a dor não a deixava. Ela podia ouvir uma voz maquiavélica sussurando em seu ouvido: "Pode gritar o quanto quiser, isso não irá aliviar seu sofrimento"

Aquilo foi o cúmulo. Ela precisava tomar medidas mais drásticas. Se levantou, cambaleando e foi em direção à cozinha. Abriu a gaveta e puxou o facão que sua mãe usava pra tratar a galinha.

Ela levantou a faca na altura dos olhos. Ela a fitava com um olhar doentio. Cintilava e isso a tornava tão bonita. E também perigosa. Ela virou a ponta da faca pra baixo sorrindo:

- Agora eu venci, SEU ÚTERO FRACASSADO!

E enfiou a faca na barriga. Caiu no chão e começou a sangrar. No seu rosto, um sorriso: finalmente um momento de alívio.

Dedicado à Clara e Dai.

3 comentários:

Clara disse...

*-*

Clara disse...

é sério, vocês nem imaginam o tamanho da minha vontade de fazer isso

D. disse...

COCA COLA PASSA CHURO